Erguidas há mais de 2500 anos, as pirâmides do Egito impressionam até
hoje por seus mistérios, segredos e principalmente, sua construção. E vamos
combinar, existem várias teorias que tentam explicar como foram de fato
levantadas, mas devemos confessar que, nessa área, pouco sabemos.
O que se sabe ao certo é que milhares de egípcios deram suor, sangue e
trabalho, além de quebrarem a cabeça fazendo cálculos matemáticos para
realizarem as aspirações arquitetônicas do Faraó da vez. E isso tudo, na melhor
das hipóteses, em troca de pão e cerveja!
Se o povo egípcio pudesse reclamar com alguém, esse certamente seria um
tal de Ahmes que era o expert em matemática da época e que teria elaborado um
dos documentos matemáticos mais importantes, o qual foi objeto de estudo,
inclusive de Pitágoras, considerado pai da matemática moderna.
Sorte do Pitágoras que não viveu para ver o quão perigoso é a matemática.
Todos sabem matematicamente que a progressão geométrica de um esquema de
pirâmide clássico atinge um necessário momento de insustentabilidade. E se é
assim na matemática, também é na vida real, principalmente em relação as
chamadas pirâmides financeiras cujo o sucesso necessita do crescimento
exponencial de novos membros e que, ao contrário das egípcias, não possuem
nenhum segredo ou mistério.
Para chamar a atenção das pessoas, normalmente a pirâmide pode ser
mascarada com o nome de outros modelos comerciais que fazem vendas cruzadas
tais como o marketing multinível. A maioria dos esquemas em pirâmide tira
vantagem da confusão entre negócios autênticos criando a idéia de que a pessoa
faz um único pagamento, mas recebe a promessa de que, de alguma forma, irá
receber benefícios crescentes de outras pessoas como recompensa.
O problema é que em algum momento a coisa “desanda” e aqueles que
aderiram ao investimento acabam por não receberem nem o valor investido quanto
mais o prometido.
E foi com base nessa confusão é que muitos acabaram por investir suas
economias, seus projetos e até seus sonhos na esperança de realizar um bom
investimento e acreditando na promessa de grandes retornos em pouco tempo e
agora... nem pão, nem cerveja!
A boa notícia é que as pessoas lesadas podem recorrer ao Poder
Judiciário que, no caso da TELEXFREE e BBOM está determinado a devolução dos
valores investidos uma vez que considerou estes produtos como pirâmides
financeiras de larga escala, o que, aliás, é culpa da antiga União Soviética
porque foram lá que surgiram pela primeira vez.
Mas isso, ...
Isso já é outra história.
Texto publicado em jornal, 16.10.2015
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