terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Big Brother e o Quinto dos Infernos

Ainda em 1948, George Orwell escreveu a obra “1984” e concebeu uma sociedade totalitária onde todas e quaisquer liberdades e garantias individuais, principalmente o direito à privacidade, foram banidas em prol de um “pseudo interesse público estatal” representado na ficção pela figura do “Grande Irmão” (Big Brother) cuja a função era o controle extremo do indivíduo, principalmente pelos meios de comunicação de massas, principalmente, através da manipulação da informação.
Tal como o Big Brother orwelliano, o Big Brother Tupiniquim monitora os grandes centros urbanos, prédios públicos, locais estratégicos, rodovias, estabelecimentos bancários entre outros, com o objetivo, segundo as autoridades, de garantir a segurança e o interesse coletivo, fazendo com que o indivíduo “se sinta” constantemente vigiado e tutelado pela onipresença estatal.
É o que acontece atualmente, por exemplo, em relação aos radares e controles de velocidade das rodovias brasileiras e a interligação dos Departamentos de Trânsito em âmbito nacional. O Big Brother Brasileiro, tendo instalado inúmeros destes aparelhos pelas estradas do país (geralmente sem indicar a localização) com objetivo, segundo o grande irmão tupiniquim, de conscientização e prevenção de acidentes, vem anunciando a unificação dos cadastros dos Departamentos de Trânsito de modo que o motorista infrator seja punido independentemente do local geográfico onde tenha cometido a infração. Atitude, sem dúvida, louvável.
Porém, atitude nada louvável e sequer imaginada por George Orwell, é a insistente e absurda tentativa do Poder Público Brasileiro, através dos DETRANs, de somente receberem os bônus de tal situação sem assumirem a responsabilidade dos ônus naturalmente decorrentes. Explica-se.
Para a cobrança das multas decorrentes das infrações de trânsito em qualquer estado da federação, os DETRANs possuem a tecnologia e os mecanismos necessários, porém, para o controle, regularidade, legalidade e responsabilização sobre os Certificados de Propriedade de Veículos Automotores (documento público emitido pelos próprios DETRANs) os mesmos mecanismos e tecnologias não são suficientes.
Talvez se o Big brother Tupiniquim, através dos DETRANs, fosse responsabilizado pela emissão de seus próprios documentos, não se teria tantos automóveis furtados circulando impunemente, nem teríamos a estranha sensação de que o nosso país, às vezes se parece realmente....com o quinto dos infernos.

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