Segundo contam os estudiosos, este problema essencial foi proposto por Platão em “A República”, sua obra sobre governo e moralidade. A sociedade perfeita como descrita por Sócrates, o personagem principal da obra, dependeria de trabalhadores, escravos e comerciantes, sendo que a classe guardiã protegeria a cidade. A pergunta é feita a Sócrates, "Quem guardará os guardiões?" ou, "Quem irá nos proteger dos protetores?" e a resposta de Platão para esta pergunta foi que os guardiões iriam se proteger deles mesmos na medida em que, nós, o povo, contaríamos uma "mentira carinhosa" dizendo-lhes que eles seriam melhores do que os que eles serviriam e, portanto, responsáveis por guardar e proteger aqueles que seriam menos do que eles mesmos. Instigaríamos neles (os guardiões) desgosto por poder ou privilégio e eles iriam exercer o poder como ônus e não porque o desejassem.
Ledo engano, a história está repleta de exemplos de quão era ingênua e simplista a solução apontada. Por isso é que as democracias contemporâneas buscam conciliar este dilema mediante a alternância dos governantes no poder, limitando a possibilidade de tiranias. Buscam a solução desta questão negando poder absoluto aos poderes instituídos (Executivo, Legislativo, ou Judiciário) mediante um sistema de freios e contra- pesos.
Contudo, “nunca antes na história deste país”, o poder executivo distorceu tanto estas idéias infiltrando-se nos demais poderes e interferindo o funcionamento democrático das instituições. No Judiciário, seis dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal foram nomeados por Lula (o que explica as duas últimas votações sobre as eleições) e o atual presidente se prepara para nomear o sétimo. No legislativo, chega ser absurdo o uso da máquina pública pra promover os partidos, a troca de favores, o fisiologismo e a distribuição de cargos para a base aliada, sem se falar em mensalões, dinheiros na cueca e etc. Só estes motivos (além dos inúmeros outros) já bastariam para demonstrar a importância do processo eleitoral em curso e a necessidade de alternância do poder.
Nikolai Gogol, escritor russo de origem ucraniana que viveu entre 1809 e 1852, questionado sobre o dilema dos guardiões teria afirmado que “nossos governantes são tão incorruptíveis, tão incorruptíveis, que não há dinheiro que os faça fazer justiça”.
Mas isso, isso já é uma outra história.
É isso aí.
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