quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Zé Ramalho, o Egito e as redes sociais digitais

Zé Ramalho, músico nordestino, escreveu, no final dos anos 70, durante a ditadura militar no Brasil, a música “Admirável Gado Novo” que se reporta inequivocamente ao livro “Admirável Mundo Novo”, escrito em 1932 por Aldous Huxley que imaginava uma sociedade no futuro em que as pessoas viviam harmonicamente com a ordem social e a legislação positiva sem contestação ou senso crítico em razão de um pré-condicionamento biopsicológico e utilização de meios de alienação, entre eles, os meios de comunicação.

Aliás, pelas notícias que invadem os jornais sobre a atual situação do Egito, este expediente é amplamente utilizado pelo governo egípcio há quase 30 anos buscando se perpetuar no poder e manter a população alienada.

Que o Egito vivencia um momento histórico, imprevisível e devastador é evidente e insofismável. O que não é óbvio é que os meios de comunicação, que eram utilizados para alienar e manter a população oprimida, tenham sido a mola propulsora e aglutinadora dos protestos, já que, por meio das redes sociais digitais, os manifestantes se articularam e se mobilizaram, tanto que o governo egípcio bloqueou os sinais de internet no país para tentar desorganizar e enfraquecer o movimento.

Contudo, neste caso, o elemento novo é exatamente a utilização destas redes sociais digitais (Google, twitter e facebook) como forma democratização da informação e propagação de um ideal democrático a toda uma geração que nasceu e viveu sob o domínio de uma tirania.

Talvez somente quem viveu na década de 70 no Brasil e vivenciou o período ditatorial, tal como Zé Ramalho, tenha a noção do que efetivamente está ocorrendo no Egito atualmente, mas, afinal, mesmo um “povo marcado” tem a possibilidade de deixar de ter “uma vida de gado”.

Mas isso, isso já é uma outra história.

É isso aí.

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